Transposição de Águas do Rio São Francisco
São Francisco: Fome, sede e privação
No passado foi assim, se tínhamos alguma reclamação, que fossemos nos queixar ao bispo. Não é o caso do presente, em que avançamos para o estabelecimento do Estado de Direito. Tive a oportunidade de participar com o Bispo de Barra de um seminário promovido pela UPB – União das Prefeituras da Bahia – sobre a transposição de águas do rio São Francisco. Ele, e todos os técnicos e representantes do Ministério Público foram unânimes em concluir que este projeto em nada tem a ver com o “matar a sede do nordestino”, portanto, em “dar a água a quem tem sede”. Um copo d’água a quem necessita”. Nada disso parece verdade, muito menos justificativa de tamanho investimento público. Não sou contra Lula, e no ridículo da política brasileira devemos tomar posições como cidadãos em nossa individualidade dirigida às coisas coletivas. Ser a favor ou contra e com isso deixar passar as coisas mais escabrosas como a sem-vergonhice nacional institucionalizada.
Tem razão o Bispo ao ver os interesses do agro-negócio, essa nova forma de atualizar o latifúndio como de interesse nacional – os usineiros, lembram bem de quem eles eram? São no momento atual os novos heróis: eles que amargaram com a escravidão o adoçar do paladar dos europeus, como nos disse Darcy Ribeiro – são agora os donos do PAC Nordeste. Não, este não é um projeto para o Nordeste e para o Brasil, é o erro fundamental de Lula, equívoco estratégico e ético do melhor governo que o Brasil já conheceu, tão brasileiro, tão macunaímico, sem nenhum caráter.
Sem queixar-me ao bispo, proponho a minha solidariedade. Este país, caro presidente Lula e caro Governador Wagner, que diante do Bispo assumiu compromissos, exige que as pessoas sejam mais convincentes, menos negociantes; sejam menos de valor de troca, mais íntegras para terem o crédito do reconhecimento ético. Os latifundiários estão eufóricos, o São Francisco vai abençoar a grande lavoura e nesse começo de século o latifúndio vai ter uma função que o redime de todas as acusações do passado. Aos ricos a riqueza, aos pobres a pobreza. Triste Brasil de subservientes e de lacaios eficientes e eficazes, capitães do mato e mata-cachorros e feitores.
A fome do bispo é a nossa fome de sinceridade, de liberdade, de justiça; a fome do bispo é a sede que todas as águas do São Francisco não saciarão. A fome do bispo é ética, o que falta, absolutamente falta, neste país curiosamente “franciscano”, é a solução para o princípio de que: “é dando que se recebe”.
Não somos mercadorias, não somos negociáveis, não somos coisas, não somos urnas ou cargos, somos gente, somos almas que guiadas pelo olho e pela mão fazem o mundo humano belo, sensível, desejável.
Solidariedade bispo Cappio, solidariedade ao povo do Nordeste. Sem mistificações.
Olá, Leo!
Também escrevi algo sobre, http://www.clubeletras.net/blog/politica/transposicao-do-rio-sao-francisco/
mas sob um ponto de vista adverso.
Veja: a grita do bispo é essa mesmo, de que a água servirá apenas aos latifundiarios. Isso, a meu ver, é simplismo o que precisaria quase um compêndio para desmistificar.Fico então, apenas na linhagem que se água é para tornar latifundios produtivos, eles gerarão riqueza, renda e… água!
Não podemos achar que depois de toda essa visibilidade, tenhamos ainda situações de “senhores de engenho”. Claro, ainda não será boa, mas não tão má como era (ou é).
O que o senhor bispo propõe então, como alternativa? Água em canequinhas para o povo? Oras… me poupem.
O que fico puto, é com o “apenas protesto”. Se não tem alternativas, use de sua força para melhorar o projeto, para fiscalizar e exigir o máximo dele.
Afora isso, tudo que vejo é espetáculo da greve de fome para a mídia.
Não sou fanático pelo governo Lula, nem um seu fiel defensor. Confesso que é bom graças ao pouco de competência que teve frente aos outros, péssimos, e a situação mundial favorável.
Mas, se não tem outra solução para o NE, para as regiões ainda muito sem água, sou favorável a transposição das águas do São Francisco, dentro do que foi explicado no projeto.
O que temos a cobrar, é a distribuição dessa água e os recursos para revitalizar o rio desde suas nascentes.
Abraços!
Sérgio
Sergio eu compreendo o seu lado e gostei do seu texto e argumentos o lance é que estou muito desinformado com relação a este projeto por conta disso me limitei a publicar o texto do Bispo.
Caros todos,
Esse assunto não é novo, e sei que há cerca de 12 anos uma licitação chegou a ser revogada ou anulada, e se não me engano quando o ministro responsável era o Aluízio Alves. Tem havido, pois, muito debate, e toneladas de papel devem ter sido produzidas, com centenas de reuniões e conferências. Era chegada a hora de uma decisão, e ela foi tomada agora. Pode não ser a melhor, mas também não há garantias de que a solução contrária preconizada por alguns o seja. Quem não teve a sua opinião aceita, após amplos debates, deve humildemente dar-se por vencido, ainda que não convencido. Demonizar os que professam a tese diversa parece antes de tudo uma manifestação de arrogância, uma espécie de crença em sua própria infalibilidade. Deve haver sustentação técnica para ambas posições. Por que a que é favorável à transposição é necessariamente falaciosa e fruto de interesses mesquinhos? Por que os que possuem poder decisório têm que se curvar às injunções dos que são contra? Não vejo o bom senso permear a decisão do Bispo. O seu jejum, nesse contexto, se parece com a postura da namorada rejeitada que ameaça suicidar-se caso o seu amado não volte a seus braços. O enfoque ideológico ou apaixonado da questão em nada favorece o alcance da solução mais racional.
Paulo Braz
por favor, alguém sabe pq o site do ComitÊ do São Francisco está fora do ar, há dias????
Obrigado!
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